GEOMAR no Ciclo de Seminários Ciências Marinhas Tropicais 2013 |
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![]() | Membro do GEOMAR ministrou no último dia 6 de Novembro, no Instituto de Ciências do Mar - LABOMAR/UFC, palestra acerca da Plataforma Continental do Ceará. Na ocasião foram discutidos temas relacionados a compartimentação, cobertura sedimentar e potencialidades de recursos naturais nela existentes. A palestra contou com a presença de alunos dos cursos de Oceanografia e Ciências Ambientais, contanto ainda com a presença dos alunos da Pós-graduação. |
Efeito do aquecimento global nos oceanos é pior do que se pensava, diz relatório.
04/10/2013 23h33
A poluição nos oceanos e o aumento da temperatura estão criando 'zonas mortas' nos mares.
Um relatório divulgado pelo Programa Internacional para o Estado dos Oceanos (IPSO) adverte que a saúde dos oceanos está se deteriorando mais rapidamente do que se pensava em decorrência do aquecimento global.
De acordo com o documento, a água tem se tornado mais ácida por absorver mais CO2, o que é prejudicial para o desenvolvimento dos corais. A poluição e a pesca predatória também estariam tendo um impacto sobre a vida marinha.
O relatório chama a atenção para as chamadas zonas mortas, locais fortemente afetados pela poluição de fertilizantes.
"Não temos dado a importância necessária aos oceanos. Eles nos protegem dos piores efeitos do aquecimento global, ao absorver o CO2 da atmosfera. Enquanto o aumento da temperatura terrestre parece ter dado uma pausa, os oceanos continuam se aquecendo. As pessoas e a os fomuladores de políticas públicas fracassam ao não reconhecer, ou ignorar por opção, a gravidade da situação", diz o relatório.
O relatório cita como exemplo a ameaça aos recifes de coral, afetados pela temperatura e pelos níveis de acidez crescentes, além da proliferação de algas decorrentes do desequilíbrio ambiental.
Pesca predatória
Financiado por várias fundações, o IPSO está publicando uma série de cinco relatórios baseado em debates feitos em 2011 e 2012, em conjunto com a Comissão Mundial para Áreas Protegidas da organização União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).
O relatório pede aos govermos que detenham o aumento de CO2 nos níveis de 450 ppm (partes por milhão, uma medida de volume). Se for além desse montante, os oceanos podem sofrer com um nível de acidez alto ao fim deste século, já que o CO2 é absorvido pela água.
O relatório também pede um sistema de pesca menos predatório e uma lista de substâncias extremamente tóxicas aos oceanos.
O documento pede que um novo acordo internacional para a pesca sustentável nos oceanos e a criação de uma agência de fiscalização internacional.
"Esses relatórios deixam absolutamente claros que postergar ações só vai aumentar os custos no futuro e levar a perdas ainda piores, senão irreversíveis", alerta o professor Dan Laffoley, um dos autores do relatório.
"O relatório de clima da ONU já confirmou que os oceanos estão arcandando com o ônus das mudanças perpetradas pelos humanos em nosso planeta. Essas descobertas nos dão mais razão para alarme, mas também sinalizam a solução. Precisamos usar essa informação", disse.
Risco de extinção
O coordenador do estudo, professor Alex Rogers, da Universidade de Oxford, disse que o relatório é importante por ser “completamente independente da influência dos Estados e por dizer coisas que especialistas da área sentem que precisam ser ditas”.
Ele lembrou que as preocupações aumentaram nos últimos anos justamente porque relatórios assim mostraram que espécies foram extintas no passado com o aquecimento dos oceanos, o aumento da acidez e baixo nível de oxigênio na água – alterações que têm sido registradas hoje em dia.
O professor lembra que há um debate sobre se práticas sustentáveis de pesca estão provocando a recuperação do estoque de peixes em regiões da Europa e dos Estados Unidos. Entretanto, globalmente, está claro que essa recuperação não está ocorrendo.
Ele também admite que se discute se as mudanças climáticas poderiam levar a uma maior produção de peixes nos oceanos. Por exemplo, se a água de degelo dos polos faria aumentar o estoque de pescado em regiões mais frias, enquanto que, nas zonas tropicais, áreas de água mais quente poderiam prejudicar a mistura de nutrientes necessária para uma maior produção.
Fonte da notícia: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/131003_oceano_aquecimento_mm.shtml
04 de Outubro de 2013, Fortaleza, Ceará |
Emissões de CO2 elevam acidez de mares árticos
10/05/2013 09h32

Cientistas têm monitorado mudança na composição química das águas.
Os mares árticos estão ficando mais ácidos como resultado de emissões de dióxido de carbono (CO2), segundo um relatório científico.
Cientistas do Center for International Climate and Environmental Research em Oslo, na Noruega, vêm monitorando mudanças na composição química das águas em vastas porções dos oceanos da região.
Segundo os especialistas, mesmo que as emissões cessassem agora, levaria milhares de anos para que a composição química do Oceano Ártico fosse revertida para seu estado original, anterior ao início da atividade industrial no planeta.
Muitas criaturas, incluindo espécies de peixes com alto valor comercial, pode ser afetadas.
Os especialistas preveem grandes mudanças no ecossistema marinho, mas dizem não saber ao certo quais serão essas mudanças.
É sabido que o CO2 aquece o planeta, mas muitos desconhecem o fato de que, ao ser absorvido do ar, o gás também torna os mares alcalinos mais ácidos.
A absorção é particularmente rápida em água fria, então o Ártico é mais suscetível. As diminuições recentes nas quantidades de gelo presentes nos mares durante o verão vêm expondo mais superfícies do mar ao CO2 existente na atmosfera.
A vulnerabilidade do Ártico é exacerbada por quantidades cada vez maiores de água fresca provenientes de rios e gelo terrestre derretido - já que a água fresca é menos efetiva em neutralizar quimicamente os efeitos acidificantes do CO2.
Os pesquisadores dizem que os mares nórdicos estão se acidificando em diferentes profundidades, embora mais rapidamente nas camadas mais superficiais.
Experimento imenso
Em entrevista à BBC, o coordenador do relatório, Richard Bellerby, disse que a equipe mapeou um mosaico de índices diferentes de pH na região. O nível de alteração, ele explicou, foi determinado pela quantidade de água fresca entrando na área.
"Grandes rios fluem para o Ártico", disse Bellerby. "Temos uma espécie de lente de água fresca na superfície do mar em algumas áreas, e a água fresca diminui a concentração de íons que impedem a mudança no pH. O gelo no mar tem sido uma 'tampa' no Ártico, então a perda de gelo está permitindo a absorção rápida do CO2".
Esse processo está sendo piorado, o cientista disse, por carbono orgânico que chega pela terra - um efeito secundário do aquecimento regional.
"Mudanças rápidas e contínuas são uma certeza", ele disse.
"Já ultrapassamos limites críticos. Mesmo se pararmos as emissões agora, a acidificação vai durar milhares de anos. É um experimento imenso".
Nos mares da Islândia e Barents, a equipe de pesquisadores monitorou diminuições de cerca de 0,02 no pH da água a cada década desde o final dos anos 60.
Efeitos químicos associados à acidificação também foram encontrados nas águas de superfície do Estreito de Bering e Bacia do Canadá do Oceano Ártico central.
Cientistas calculam que hoje a acidez média das águas superficiais dos oceanos no mundo é cerca de 30% mais alta do que antes da Revolução Industrial.
Eles dizem que é muito provável que haja mudanças profundas no ecossistema marinho do Ártico como resultado.
Por exemplo, algumas espécies importantes de presas, como as borboletas do mar, podem ser prejudicadas. Outras espécies podem ser beneficiadas.
É provável que peixes adultos sejam bastante resistentes, mas o amadurecimento dos ovos dos peixes pode ser prejudicado.
Ainda é muito cedo para saber.
Fonte da notícia: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130506_acidificacao_oceanos_mv.shtml
10 de Maio de 2013, Fortaleza, Ceará |
Missão Brasil-Japão acha indícios de continente submerso
06/05/2013 10h55
Em expedição feita em parceria com o Japão, geólogos brasileiros encontraram a presença de granito em uma formação rochosa conhecida como Elevado Rio Grande, uma cordilheira submersa a mais de mil quilômetros da costa brasileira.
Antes, especulava-se que a formação poderia ser de rochas vulcânicas, as mais comuns no fundo do oceano.
A presença de granito nas rochas comprovaria a tese de que parte desse elevado --uma área equivalente à metade do Estado de São Paulo-- é a continuidade da plataforma continental brasileira, que teria caído no fundo do oceano na época da separação do continente sul-americano da África, há cerca de 130 milhões de anos.
O achado pode estender a zona econômica exclusiva na costa brasileira, aumentando o monopólio do país sobre riquezas no fundo do oceano.
A pesquisa, divulgada ontem, faz parte de uma campanha iniciada em janeiro pelo navio japonês Yokosuka, que hospeda o submersível Shinkai 6500, equipamento de alta tecnologia que tornou possível o estudo das rochas.
A expedição é fruto de uma parceria entre a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), a Jamstec (Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar) e a USP. Patrocinado pela Jamstec, o Shinkai 6500 viajará por um ano pelo mundo investigando formações como a brasileira, um projeto estimado em US$ 10 milhões.
"A ida do Shinkai à região fortaleceu o que antes era hipótese. Granito não é uma rocha vulcânica, é um pedaço do continente que foi deixado para trás", disse o diretor da CPRM, Roberto Ventura, dando como exemplo de granito o Pão de Açúcar, um dos cartões postais do Rio.
MERGULHOS
O geólogo da CPRM Eugênio Pires Frasão, um dos seis brasileiros que participaram da expedição, passou cerca de oito horas por dia submerso fazendo a pesquisa.
De 30 de abril a 2 de maio, foram sete mergulhos para coletar amostras.
Mas, para comprovar a tese, a CPRM terá ainda que fazer perfurações no local, o que está previsto para ocorrer ainda neste ano.
Entre agosto e setembro, será lançada uma licitação para contratar uma empresa de perfuração no local.
Para a professora da USP Naomi Ussami, que estuda a formação da Elevado Rio Grande, a descoberta, se comprovada, vai mudar a história do Atlântico Sul, além de resolver um debate que se arrasta há anos sobre a extensão da plataforma continental brasileira.
"Se for pedaço da crosta continental, é um pedaço de Brasil, e aí passa a ser área exclusiva de exploração pelo país", disse.
O navio custou US$ 100 milhões ao governo japonês e o Shinkai 6.500, US$ 130 milhões, investimentos que, segundo pesquisadores brasileiros, estão além das possibilidades do Brasil.
Sem esses equipamentos, o país levaria anos para confirmar as suspeitas de que uma parte do continente se desprendeu na separação do Brasil e da África. Nos últimos quatro anos, o Brasil investiu R$ 80 milhões em pesquisas na Elevado Rio Grande.
Fonte da notícia: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/05/1274026-missao-brasil-japao-acha-indicios-de-continente-submerso.shtml
06 de Maio de 2013, Fortaleza, Ceará |
Ressaca do mar alaga trecho da Avenida Beira-Mar
20/02/2013 20h07
A ressaca no mar em Fortaleza alagou a Avenida Beira-Mar e causou transtornos para quem passou pela via. Um fenômeno da natureza que agrada, mas também preocupa a população.
20 de Fevereiro de 2013, Fortaleza, Ceará |
Nova ilha no mar do Norte consolidou-se em apenas dez anos
20/02/2013 20h07
![]() | A formação de bancos de areia em águas com pouca profundidade é algo habitual. No entanto, é raro que estes bancos sobrevivam às tempestades e que se constituam por si mesmo como ilhas. Mas foi exatamente o que aconteceu na costa da Alemanha. A ilha Norderoogsand foi sendo formada ao longo dos últimos dez anos. Situa-se a 25 quilômetros da costa do estado de de Schleswig Holstein, no Mar do Norte, o seu tamanho equivale a 25 campos de futebol, e tem a forma de uma ferradura. Apesar de jovem, possui já uma flora com 50 espécies e é bastante conceituada entre gaivotas, arenques, ostras e outros animais. |
O rápido desenvolvimento da ilha surpreendeu os cientistas especializados no clima e geografia daquela zona. “Em apenas alguns anos, formou-se uma nova ilha de forma impressionante”, diz Detlef Hansen, que trabalha no Parque Nacional do Mar Frísio. “Para nós, isto é tudo menos vulgar”, acrescenta.
Apesar de não ser invulgar a formação de bancos de areia naquela zona, é raro estes transformarem-se em ilhas. A nova massa de terra tem agora dunas que atingem os quatro metros de altura. Relva e outras plantas têm florescido.
Segundo os cientistas a sua formação foi favorecida pela localização privilegiada que faz com que seja protegida por outras ilhas. O facto de não terem existido tempestades muito severas nos últimos anos é outra das causas apontadas para o seu crescimento.
Fonte da notícia: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=56689&op=all&temp-new-window-replacement=true
20 de Fevereiro de 2013, Fortaleza, Ceará |
Livro: PLATAFORMA CONTINENTAL - a última fronteira da mineração brasileira
19/02/2013 20h17
Os limites da fronteira da exploração mineral tem se expandido cada vez mais. Em alguns países, a exploração da plataforma continental já é uma realidade há tempos, como na França, onde se explora o lithothaminium, sedimento marinho que possui diversas aplicações na indústria. Além desse, são conhecidos também recursos de sais de potássio, manganês, cobalto, fosforitas, depósitos de pláceres, entre tantos outros, cujos usos são os mais variados possíveis. No Brasil, que possui uma das maiores plataformas continentais do mundo, diversas empresas tem se interessado por esses recursos, fato esse comprovado pelo aumento significativo de áreas oneradas nos últimos anos, tema esse incluído nessa publicação. No final de 2010 foram outorgadas seis portarias de lavra na plataforma continental do estado do Maranhão para explorar calcário marinho. | Além das empresas, diversos órgãos, institutos de pesquisas, centros tecnológicos, e pesquisadores em geral têm trabalhado com a questão dos recursos da Plataforma Continental Brasileira, principalmente no sentido de mostrar a importância desta para o país. O DNPM tem marcado presença em todos os fóruns de discussão dentro e fora do Governo Federal através de especialistas oriundos de seu quadro técnico, que ora nos disponibilizam o seu conhecimento e experiência sobre o tema. Fonte do arquivo: http://www.dnpm.gov.br/mostra_arquivo.asp?IDBancoArquivoArquivo=5579&temp-new-window-replacement=true 19 de Fevereiro de 2013, Fortaleza, Ceará |
Pesquisas avaliam a dinâmica e a ocupação dos mangues brasileiros
16/02/2013 14h22
![]() | Avaliar o espaço ocupado pelos mangues brasileiros, a dinâmica desses ecossistemas e a sua relação com as mudanças climáticas. Esse é o foco dos estudos realizados pelo grupo de pesquisa coordenado pela pesquisadora Yara Schaeffer Novelli, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Na avaliação da especialista em história natural, que é apontada no meio científico como uma das maiores autoridades do País em relação ao tema, uma das grandes dificuldades para os profissionais é ter estatísticas e dados concretos sobre a área dos mangues nacionais. A maior parte das publicações existentes está voltada ao ciclo de nutrientes, à valoração econômica e aos impactos da ação humana sobre os manguezais. Uma das intenções do grupo é fazer uma espécie de cartografia dos manguezais, com a utilização de um sistema de geoprocessamento; processamento informatizado de dados ou de informações cartográficas (mapas, cartas cartográficas e plantas). |
“Infelizmente, neste ecossistema que fica entre o mar e a terra, área de transição, temos muita dificuldade de trabalhar porque toda a parte de sensoriamento remoto tem as imagens muito afetadas por nuvens. As imagens de satélites, que são feitas a 800 quilômetros de distância, não conseguem definir bem áreas de pequenas extensões”, esclarece Yara.
Outro objetivo dos pesquisadores é descobrir como os manguezais estão respondendo às alterações climáticas no planeta, ou ainda, de que forma esses ecossistemas podem funcionar como “excelentes bioindicadores”; diante de uma possível elevação do nível do mar, por exemplo. Indicação que pode trazer informações diferenciadas de acordo com o local onde se encontram.
“Em cada segmento da costa essas mudanças se refletem de forma diferente porque dependem do relevo, da profundidade, dos ventos, da amplitude das marés”, ressalta a pesquisadora.
Inpe
No Brasil, o ecossistema manguezal ocorre de forma descontínua desde o extremo Norte do País (na desembocadura do Oiapoque) a Santa Catarina (na latitude de Laguna). Um dos focos do estudo é avaliar a situação dos mangues no estado de São Paulo, onde ocorreram as catástrofes mais terríveis contra esse ecossistema no território brasileiro, na opinião de Yara.
O estudo na região é tema de pós-doutorado da bióloga Marília Cunha Lignon, que realiza o trabalho no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A doutora em Oceanografia Biológica pela USP faz uma análise da evolução espaço-temporal dos manguezais paulistas nas últimas três décadas. Marília monitora as perdas e os ganhos, em áreas delimitadas, bem como a resposta dos manguezais às dinâmicas sedimentares.
“Pretendemos usar sistemas de informações geográficas para trabalhar fotografia aérea e imagens de satélite. São diversos níveis e escalas de estudo: a imagem de satélite vista de bem longe; a fotografia aérea, com uma resolução intermediária; e o trabalho de campo com os dados in loco. São exatamente essas ferramentas, hoje, que possibilitam o tratamento das imagens e a posterior análise”, explica.
Fonte da notícia: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/322232.html?temp-new-window-replacement=true
16 de Fevereiro de 2013, Fortaleza, Ceará |
Avanço e recuo do mar mudam o contorno do litoral brasileiro
12/02/2013 11h30
Em 2007, para os cientistas, o pior cenário era uma elevação do nível do mar de 60 centímetros, em 100 anos. Mas hoje, apenas três anos depois, essa previsão já está ultrapassada.
O mar está avançando, às vezes recuando, e mudando o mapa do Brasil. Aquele mapa que a gente desenhava na escola hoje é outro. Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio, Pernambuco, Pará. A repórter Mariana Ferrão percorreu o litoral brasileiro e mostra os estragos que essas mudnças estão provocando.
O ataque das ondas está mudando até o mapa do Brasil. As bandeiras vermelhas mostradas em vídeo indicam pontos onde a nossa costa já encolheu. Veja a foto de Atafona, no norte do Rio de Janeiro, em 1957, um bairro que ficava à beira do mar. O problema é que de lá pra cá, a beira virou o fundo do mar: 450 casas foram engolidas pela água.
Outra foto de 1989, na Praia de Boa Viagem, no Recife. O gramado que existia entre o calçadão e a faixa de areia sumiu. E a areia também. Maceió, Praia da Ponta Verde. Veja como era antes e como está agora.
Em Iparana, no Ceará, o mar avançou quase 300 metros em 12 anos. Veja em vídeo o tamanho da praia, no começo da década de 90. E agora, cadê a areia?
Na Igreja de Sant'Anna, na Praia da Armação, em Santa Catarina, a escada que dava para a praia, em 2001, agora desemboca direto no mar. Preste atenção numa sequência de fotos. Em apenas um ano, o mar arruinou uma casa.
Mas o engraçado é que, em outras regiões do país, o mar recuou e nós estamos ganhando terreno. O Fantástico encontrou uma ilha na divisa do Paraná com São Paulo. A ilha pertence a São Paulo. Mas toda a areia que a formou veio do Paraná.
“Aquela ilha não existia quando eu nasci. A terra sempre se transforma e se movimenta. Aqui tem correnteza de água, então vai tirando o sedimento de um lugar e depositando em outro”, explica Clóvis Xavier Júnior, piloto de barco do Instituto Oceanográfico da USP.
Em Nossa Senhora do Ó, litoral de Pernambuco, a praia ganhou 16 metros de faixa de areia. O desenho da costa do Pará também está mudando. As pontas de Camaraçu e Perimirim cresceram.
O Fantástico percorreu toda a costa brasileira, pra saber, afinal, o que está acontecendo: será o mar que está avançando? Ou somos nós que estamos avançando em direção ao mar? Em 2007, para os cientistas, o pior cenário era uma elevação do nível do mar de 60 centímetros em 100 anos. Mas hoje, apenas três anos depois, essa previsão já está ultrapassada.
“A onda que agora não é mais de dois metros e meio, em média, está começando a se tornar de três metros, três metros e meio, quatro metros. E um vento que antes era só de 60 km/h, 50 km/h, agora são ventos de 80 km/h, 90 km/h, 100 km/h”, afirma David Zee, professor da Faculdade de Oceanografia da Uerj.
Ventos fortes geram ressacas. O Rio de Janeiro, no começo da década de 90, enfrentava em média uma ressaca por ano. Em 2010, já foram sete. Uma delas, tão violenta, que acabou criando uma onda gigante em plena Baía de Guanabara.
Ressacas violentas são um dos sintomas da febre do planeta. Outro é o derretimento das geleiras. A água doce que estava congelada vai pro mar. E pior: com isso, perdemos parte da cobertura de gelo dos pólos, que funciona como um poderoso espelho refletindo de volta pro espaço parte do calor que vem do Sol. Resultado: os raios solares entram direto no mar, que fica quentinho. A água mais quente favorece a formação de tempestades. Que trazem mais vento, mais onda, mais ressacas. Tudo de novo.
Para piorar, cada vez mais gente tem uma casa pé na areia. Ou um apartamento com vista pro mar. De cada quatro brasileiros, um vive no litoral, segundo o IBGE. Ao todo, são 45 milhões de pessoas ameaçadas pelo avanço do mar. “O mar está tomando conta do que era dele”, opina o mergulhador Adilson Ivo dos Santos. O mergulhador está certo, segundo o professor de engenharia costeira da Coppe/UFRJ Paulo César Rosman: “Praias são coisas extraordinariamente dinâmicas, estão sempre sendo remanejadas, refeitas, reformadas pela ação das ondas, nunca estão paradas”. E a gente é que tem reformado as praias? “Nós temos prejudicado esta capacidade natural que as praias têm de se adaptar e de se acomodar às mudanças. Na medida em que nós construímos estruturas e aprisionamos o estoque de areia das praias”, completa o professor.
Nós estamos engessando o litoral do país. Com calçadas, ciclovias, avenidas. E quando o mar avança não encontra mais a areia para amortecer o impacto das ondas. É por falta de areia que a gente vê tanta destruição em Boa Viagem, no Recife, por exemplo. Seu Cláudio mora em um prédio há 32 anos: “Antes, a gente ficava na praia, atrás da gente ainda tinha gente jogando vôlei, e hoje não”, disse o morador Cláudio Eymael. E ele não entende porque a areia sumiu. “Não houve modificação, o que nós temos de calçada hoje, talvez um metro mais pra frente. Acho que este um metro a mais, não faz diferença”, diz Cláudio. Faz muita diferença. O Fantástico encontrou em Ilha Comprida, no extremo sul de São Paulo, árvores enormes arrancadas com raiz e tudo. É um cenário de destruição na praia. Na areia, pedaços de casa. Tudo foi levado pela última ressaca.
“A construção muito perto da praia faz com que haja um desequilíbrio, e a praia começa a entrar num processo de fome de areia”, alerta Célia Gouveia Souza, pesquisadora do Instituto Geológico de São Paulo.
“Quando as primeiras ressacas se fazem sentir, é natural que as pessoas vão colocar pedra, jogar rocha na beira da praia, para poder proteger as edificações. Mas isso, ao longo prazo, é a pior solução possível”, avalia João Luiz Carvalho, doutor em engenharia oceânica.
Agora dá para entender porque pedras gigantes não impedem a destruição das praias. “Já tem cinco anos e meio mais ou menos e é a primeira vez que eu vejo uma situação desse jeito”, disse José Alberto Santos, dono de um bar em Aracaju. Sacos de areia, pneus, muros de concreto também não resolvem. Sabe o que funciona?
“Recentemente, esta praia sofreu um processo de ressaca, mas como a ocupação da praia foi feita depois da duna, esta praia consegue reagir bem. Ela se deforma inicialmente, mas logo em seguida, naturalmente, as ondas vão reconstituindo a praia e ela volta a ser normalmente como era antes”, diz o doutor em engenharia oceânica.
O Forte do Pau Amarelo, em Paulista, é um ponto emblemático pra gente perceber este movimento cíclico da natureza, do avanço e do recuo do mar. Essa é uma construção do século 18 e, como todo forte, ele estava à beira d’água. O mar recuou bastante ao longo de todos estes anos, só que a população aproveitou e construiu. Agora, o mar está voltando. “Eu pensava o seguinte: isto aqui tem uma área muito bonita de areia, então vamos construir, porque aqui jamais vai chegar. E aconteceu de chegar”, conta o dono de bar Milton Galvão, que se prepara para a próxima ressaca. Sem o homem por perto, a natureza muda sem alarde, como na Ilha do Cardoso, litoral de São Paulo.
Um estreito marca oficialmente a divisa entre os estados de São Paulo e do Paraná. Isto no mapa que está nos livros, já que a natureza está fazendo um outro desenho. A areia está ligando duas partes. E de um dos lados, o mar está abrindo passagem. Um pedacinho está se separando de São Paulo e se juntando ao Paraná. “De um lado nós temos forças do mar aberto, e de outro lado nós temos forças da laguna fazendo com que no final das contas você acabe afinando a ilha”, disse a especialista.
A movimentação natural do mar também explica o que está acontecendo em Coroa Comprida, no Pará. Sobraram apenas 50 dos quase 800 metros de praia. “É um fenômeno natural. Assim como está acontecendo a erosão, depois de um tempo a tendência é se recuperar”, afirma Niles Asp, oceanógrafo da UFPA.
Escombros são restos do que o pai de Júlia queria deixar para a família, em Atafona, litoral norte do Rio. “Ele fez três andares com 48 suítes, para funcionar o hotel, que nunca chegou a funcionar”, diz a moradora de Atafona Júlia Assis. A construção ficou interditada por 30 anos, antes de ruir. O hotel recebe turistas. Curiosos que ficam perplexos diante da cidade que o mar engoliu.
“Como é uma planície costeira, a declividade é baixa, você não tem bloqueios naturais de rochas, nem de ilhas, você tem tudo convidativo para a destruição mesmo” disse o chefe do Departamento de Engenharia Cartográfica da UERJ e UFF, Gilberto Pessanha Ribeiro. “É estranho você ver um patrimônio seu virar uma atração turística. Tem gente que acha que o prédio ruiu de repente. Mas o mar não vem de repente, ele avisa”, lembra Júlia.
O mar está dando o alerta. E é preciso agir rápido. “O conhecimento do problema é o primeiro passo, a partir do conhecimento é que a gente começa a desenvolver as medidas”, diz o professor David Zee. Um equipamento no topo de um prédio em Boa Viagem, no Recife, mede direção, velocidade e força das ondas. A rede de monitoramento da Marinha também está crescendo. “Só com estas observações, cada vez mais, é que nós vamos poder ser capazes de efetivamente afirmar o que está acontecendo”, afirma Almirante Palmer, diretor de hidrografia e navegação da Marinha no Brasil.
Tecnologia não é a única solução. “Já que não é possível chegar a cidade pra trás, é chegar o mar pra frente. Você faz o que se chama engordamento da praia. Você procura as proximidades, uma uma jazida de areia com características físicas,tamanho de grãos semelhantes ao da praia. E você traz areia de fora do sistema e coloca no sistema”, diz um especialista. Sem o engordamento, a praia mais famosa do Brasil não seria Copacabana. Na década de 50, as ressacas eram constantes, invadiam o bairro e ameaçavam acabar com a praia. Mas nem tudo é resolvido com areia. Um prédio está a 800 metros da praia, mas sofre diretamente os efeitos do avanço do mar. “Quando coincide a maré cheia com chuva forte, aí atinge todos os seis elevadores”, diz o síndico Adilson Ferreira Lacerda. A água fica no poço dos elevadores, porque a maré cheia bloqueia o escoamento, neste prédio e no dos vizinhos também. É por isto que as baixadas sofrem mais quando chove forte. Este ano, no Rio de Janeiro, a chuva já tinha passado. Mas a inundação em Vargem Grande e em Vargem Pequena custou a baixar.
Nas áreas urbanas, é difícil remover populações inteiras. Já nas comunidades ribeirinhas, sair quando o mar avança é uma tradição. No norte do Pará, os endereços das casas de palafita são provisórios. “Ele se estabelece naquele local, mas aquele local pode começar a sofrer erosão e eles muitas vezes desmancham as casas, e montam as casas em outro local”, conta Niles Asp.
Por causa do avanço do mar, Ararapira, onde Nilton nasceu, virou uma ilha fantasma; 60 famílias viviam no local. Ararapira afundou em terra firme. Na Praia dos Milagres, em Olinda, o mergulhador Adilson dos Santos vê o naufrágio de uma tentativa de ocupação.
Cidades submersas que apenas alguns brasileiros vão lembrar.
“Às vezes as pessoas perguntam que sentimento que tem, se é uma raiva, se é um respeito muito grande pelo mar”, finaliza Júlia.
Fonte da notícia: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1616193-15605,00.html?temp-new-window-replacement=true
12 de Fevereiro de 2013, Fortaleza, Ceará |




